Thiago Rabelo - 19/02/2012
Não fosse pela persistência – e talento, claro -, certamente o goleiro Jefferson não estaria na seção Garotos prodígios, mas sim em Eternas Promessas. Aos 17 anos, ainda precoce, recebeu uma missão desconfortável para quem enfrentava a transição da adolescência para a fase adulta. Sem Dida, que havia se transferido para o Corinthians, e André Doring, lesionado, ambos com passagens pela seleção brasileira, Jefferson foi lançado na equipe profissional e por pouco não ficou marcado como um jogador sem futuro.
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Não bastassem as dificuldades do esporte, Jefferson escolheu a posição mais cruel do futebol, a de goleiro, função que não importa quantas boas defesas você faça em um jogo, mas, sim, quantas falhas você não cometeu. Em um destes equívocos crueis, falhou três vezes, em 2002, contra o Paysandu e chegou ao pior momento de sua carreira. Para sorte do futebol, Jefferson insistiu na carreira e anos depois provou ser tudo aquilo que todos esperavam enquanto ele estava nas categorias de base, inclusive na seleção sub-20.
Primeira chance
Antes de se tornar profissional, Jefferson, natural de São Vicente, já se destacava nos campeonatos regionais como goleiro. Porém, o primeiro contato com um grande clube surgiu de uma maneira inusitada. Atuando como atacante, foi disputar um campeonato em Foz do Iguaçu e lá estava um olheiro do Cruzeiro. Ciente de que não havia agradado, procurou o profissional celeste e disse que era goleiro, não jogador de frente. O argumento foi positivo e Jefferson foi chamado para testes na Toca da Raposa.
Em 2000, Jefferson recebeu algumas oportunidade, mas não conseguiu ser o dono da camisa 1. Em 2002, devido as constantes lesões de André, o caminho ficou para Jefferson. Contudo, uma falha na final da Copa dos Campeões - torneio que reunia os melhores colocados nos Campeonatos Regionais e premiava com uma vaga na Libertadores da América – quase marcou o fim da carreira do goleiro.
O Cruzeiro que tinha a vantagem de jogar por um empate – havia vencido o primeiro jogo por 2 a 1 – perdeu por 4 a 3 no tempo normal, em três falhas de Jefferson, e nos pênaltis, por 3 a 0. A perda do título custou caso a Jefferson. Meses depois, Vanderlei Luxemburgo foi contratado pelo Cruzeiro e o goleiro viu a ascensão de Gomes e da Raposa, principalmente no ano seguinte, quando o clube conquistou a Tríplice Coroa (Mineiro, Copa do Brasil e Brasileiro).
Mesmo em má fase no Cruzeiro, Jefferson foi convocado pela seleção sub-20 do Brasil que disputou o Mundial nos Emirados Árabes Unidos, em 2003. Pesou a favor do goleiro o período de profissional e a experiência que muitos não possuíam, caso de Dagoberto, Kleber e Daniel Alves. Mas, nem isso foi suficiente para Jefferson ser o camisa 1. Somente após as falhas de Fernando Henrique (Fluminense) na primeira fase é que Jefferson se tornou titular.
Recomeço
Campeão do Mundial Sub-20 e com boa participação nas fases finais, mas sem espaço na Toca da Raposa. Fora dos planos de Luxemburgo, Jefferson foi dispensado pelo clube e se transferiu para o América (SP). Em território paulista,teve uma passagem relâmpago e foi para o Botafogo, onde conseguiu retomar o rumo de sua carreira. Na primeira passagem pelo alvinegro carioca, o goleiro não conquistou títulos, mas conseguiu ganhar a confiança da torcida, que via a camisa 1 com temor desde a saída de Wagner, campeão brasileiro em 1995.
Em 2005, Jefferson se transferiu para a Turquia, mas nem de longe repetiu as boas atuações que fez no Glorioso. Mesmo assim, disputou o Campeonato Turco por quatro temporadas, até retornar ao lugar onde se sente em casa e realizou as melhores partidas em sua carreira: Botafogo.
Auge
De volta ao alvinegro, Jefferson mais uma vez teve de lidar com a maldição da camisa 1. Neste curto espaço que esteve fora do clube, o Botafogo contou com os irregulares Lopes, Max, Júlio César, Castillo, Marcos Leandro e Renan. Nenhum caiu na graça do torcedor – pelo contrário, principalmente nas fases finais, com falhas dos goleiros em quase todas as competições e decisões.
Justamente uma decisão foi o que consagrou Jefferson no Botafogo. Ao defender um pênalti de Adriano Imperador e ter parado o atual campeão brasileiro, Jefferson quebrou uma sequência de oito derrotas em finais do Glorioso pra o Flamengo - Taça Rio (2001 e 2009), Brasileiro (1992), Taça Guanabara (1995 e 2008) e Campeonato Carioca (2007 a 2009). Ao lado de Loco Abreu, autor de um dos gols da vitória alvinegra, Jefferson colocou seu primeiro título na galeria de taças do clube.
O caneco trouxe prestígio ao goleiro, que passou a ser figurinha constante na lista de convocados da seleção brasileira, do técnico Mano Menezes, substituto de Dunga, após o Mundial da África. Com o Brasil sob novo comando, Jefferson adquiriu seu espaço na Seleção e pode ter o auge da carreira em 2014, na Copa do Mundo que será realizada no Brasil. Um momento bem diferente daquele que aconteceu em 2002, ano também de Copa, quando falhou em dois gols e por pouco não marcou o fim de uma promessa que anos mais tarde se tornaria realidade..
Ficha Técnica
Nome Completo: Jefferson de Oliveira Galvão
Data de Nascimento: 02/01/1983
Local de Nascimento: São Vicente, São Paulo
Clubes que defendeu: Cruzeiro, Botafogo, América (SP), Trabzonspor (Turquia), Konyaspor (Turquia) e Botafogo
Seleção de base que defendeu: sub-20
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