Dassler Marques - 21/02/2012
Ainda no São Paulo, Oscar resolveu ouvir seu empresário e comprou uma briga que ainda tem capítulos importantes a serem desenrolados. Principal nome do Internacional no início da temporada 2012, ele deixa apreensão quanto às possibilidades de perder semanas ou até meses de atividade em contagem regressiva para os Jogos Olímpicos de Londres. Mas é um aspecto curioso da disputa que chama a atenção da coluna e diz respeito à filosofia de trabalho na base dos dois clubes.
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Tricolores e colorados, passado e presente de Oscar, têm as duas melhores bases do Brasil. É opinião. Mas que pode ser sustentada em dados concretos: o Internacional é líder do Ranking Olheiros desde sua criação e também tem o maior número de convocações para as seleções de base, dado do Ranking Olheiros de Seleções. O São Paulo, mesmo sem disputar o mesmo número de torneios que seus concorrentes, é terceiro lugar em ambos os levantamentos. Está empatado com o Flamengo neste último.
O detalhe que passa despercebido ao grande público, mas certamente não ao leitor do Olheiros, é sobre a forma de trabalho em Cotia e Beira-Rio. O Internacional está pouco interessado na formação como um todo e investe pesado mesmo é em prospectar, artifício incentivado indiretamente pela Lei Pelé.
Um exemplo da política é o meia Fred, que em 2012 parece romper a barreira da profissionalização, mas era promessa do Atlético-MG aos 14 anos. Também é o caso de Thiago Santos (Sergipe) e Mike (Paulista de Jundiaí), ambos atacantes do time B. Leandro Damião assim chegou do Atlético Ibirama. A chave do sucesso na base do Inter não é a formação, e sim a procura bem estruturada por talentos espalhados pelo Brasil.
No São Paulo as coisas são tratadas de maneira distinta e se aposta fielmente no processo de formação como elemento para a criação de jogadores com potencial para a profissionalização. Escolinhas satélites e pequenos clubes espalhados pelo Brasil alimentam Cotia, que só recebe jovens a partir dos 14 anos e tem detalhado processo de monitoramento desses parceiros até a categoria sub-13.
Contratações como as de Fred, Thiago Santos e Mike, por exemplo, são raríssimas, sobretudo depois do infantil. Henrique, agora no Granada, e Lucas Piazon, vendido ao Chelsea, chegaram do futebol paranaense e são exceções. O São Paulo acredita cegamente em seu modelo e tem rigidez absoluta nos aspectos formativos. Ewandro, convocado recentemente para a seleção sub-16 e destaque do time infantil, perdeu duas fases finais do Campeonato Paulista 2011 por desempenho escolar abaixo do tolerado.
O desempenho dos dois clubes nas categorias de base demonstra que não há receita pronta para o sucesso, mas que uma política bem definida, resolvida e estruturada é o que fará surgir jogadores do quilate de Oscar, joia rara e craque em letras garrafais. A perfeição de seus fundamentos e seu entendimento de jogo acima da média são elementos que certamente se relacionam com um trabalho de formação bem feito. Se Muricy Ramalho e o São Paulo não tinham coragem em afirmá-lo, o Inter aproveitou a oportunidade comercial, assinou contrato de cinco anos e a ele concedeu espaço. Os tricolores formaram, mas os colorados revelaram.
Para categorias de base perfeitas, a coluna defende a aplicação de três verbos à risca: prospectar, formar e revelar. Neymar e Messi, talentos consagrados do futebol mundial e crias da casa de Santos e Barcelona, representam a execução dessa tríade à beira da excelência. Chegaram crianças em seus clubes, se desenvolveram e Vagner Mancini e Frank Rijkaard tiveram sensibilidade para a profissionalização.
Oscar, no São Paulo, teve na presença de Muricy Ramalho um obstáculo para que ganhasse espaço. Foi a grande sorte do Internacional.
Créditos das fotos: Oscar (divulgação/Vipcomm), Fred (Alexandre Lops/Inter) e Ewandro (Arquivo pessoal)
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