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Coberturas especiais

Preview do Sul-Americano Sub-15 2007

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Marcus Alves, Mozart Maragno e Rafael Reis - 27/10/2007

As cidades de Porto Alegre e Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, recebem entre os dias 27 de outubro e 11 de novembro jovens garotos nascidos a partir de 1º janeiro de 1992 que devem protagonizar o futebol do continente dentro de alguns anos. É a terceira edição do Campeonato Sul-Americano sub-15, que irá reunir as seleções dos dez países filiados à Conmebol.

Na primeira fase, os times estão divididos em dois grupos de cinco. As duas equipes que mais somarem pontos em cada chave irão avançar ao quadrangular final, que irá definir o campeão continental da categoria.

Apesar de estar dando os seus primeiros chutes, o torneio já teve em seus gramados atletas que já debutaram nas seleções principais dos seus países, como o argentino Sergio “Kun” Agüero, o paraguaio José Montiel, o chileno Aléxis Sánchez e os brasileiros Marcelo e Anderson. Outras jovens promessas do futebol sul-americano, como Alex Teixeira, Cristopher Toselli, os gêmeos Fábio e Rafael, Federico Laurito, Diego Buonanotte e Matías Zarate, também participaram da competição.

A iniciativa pioneira da Conmebol em criar uma competição continental oficial para a categoria sub-15, que tem como principal torneio em âmbito mundial a Premier Cup, também conhecida como Copa Nike, teve início em 2003, quando foi criado o Sul-Americano, que teria a sua primeira edição disputada no ano seguinte.

Por uma questão de adequação de calendário, o torneio teve a sua primeira edição disputada por jogadores de até 16 anos e com a participação dos convidados cativos da Conmebol, Estados Unidos e México.

A seleção brasileira, base do time que seria vice-campeão mundial sub-17 em 2005, não passou das quartas-de-final, quando foi eliminada nos pênaltis pelo Uruguai, depois de um empate sem gols no tempo normal.

Na decisão, outro empate por 0 a 0.  Mas, nas cobranças de pênalti, o Paraguai, time anfitrião, superou a Colômbia e ficou com o título. Além da conquista, os paraguaios comemoraram a artilharia de Carlos Acuña e Germán Segovia, que marcaram cinco gols cada – a “foquinha” Kerlon, do Brasil, fez um a menos.

Em 2005, foi disputado o primeiro Sul-Americano sub-15 “de verdade”, na Bolívia, que teve que enfrentar uma dura polêmica sobre a impossibilidade física dos garotos atuarem na altitude de La Paz. No fim, apenas cidades com baixas altitudes foram utilizadas na competição - Santa Cruz de la Sierra (416 m acima do mar) e Montero (293 m). Warnes (332 m) também seria sede, mas não conseguiu concluir as obras de iluminação no estádio a tempo suficiente para o torneio.

Dentro de campo, o Brasil, com boa parte do time que fracassaria dois anos mais tarde nos Jogos Pan-Americanos e no Mundial sub-17, deu show. Com uma campanha sem tropeços –foram cinco vitórias em cinco jogos, com 22 gols marcados--, goleou a Argentina por 6 a 2 na final e ficou com o troféu.

Bernardo e André foram os maiores goleadores brasileiros no torneio, com cinco gols cada, mas não conseguiram superar o desempenho do argentino Federico Laurito, que foi às redes em sete oportunidades e ficou com a artilharia continental. [RR]

Grupo A

O Grupo A será disputado no acanhado Estádio Passo D'areia – que pertence ao São José – em Porto Alegre. Brasil, Peru, Uruguai, Venezuela e Equador disputarão duas vagas para as semifinais. 

As duas primeiras edições do torneio foram extremamente produtivas para o futebol brasileiro. Em 2004, ainda como sub-16, revelou-se Marcelo, Denílson, Anderson e outros destaques que evoluíram bastante em suas carreiras – já internacionais -, apesar da eliminação nas quartas-de-finais para os uruguaios. Em 2005, Alex Teixeira, Tales e os gêmeos Fábio e Rafael conquistaram a competição de forma avassaladora contra os argentinos.

Em terras gaúchas, a expectativa é que surja mais uma fornada de talentos, baseada em jogadores como o zagueiro Gerson, do Grêmio, os meias Wellington, do Fluminense, e Philippe Coutinho, do Vasco, os atacantes Felipe, do Internacional e Johnathan, da Portuguesa – artilheiro do Paulista sub-15 com vinte e seis gols. Em que pese as surpreendentes ausências de Neymar, do Santos, e Nicão - meia canhoto do Mirassol e vice-artilheiro paulista -, Jorge Silveira, técnico da primeira seleção brasileira sub-13, dispõe de um grupo qualificado e, mais uma vez, candidato ao título. O elenco foi formatado durante visitas aos clubes e em competições sub-15 realizadas durante o ano, especialmente a Copa Brasil, em Londrina. Embora, claro, o treinador Lucho Nizzo, que foi à Copa do Mundo sub-17, da Coréia do Sul, tenha iniciado o trabalho com a conquista do Torneio do Mediterrâneo no primeiro semestre.

Eliminado na fase inicial em 2004 e 2005, o Peru busca chegar mais longe em Porto Alegre. A classificação para o Mundial sub-17 - através, sobretudo, de Reimond Manco -, ainda repercute no país e inspira os meninos. Entre os resultados dos amistosos disputados pela equipe do técnico Juan José Oré, consta um empate com o Chile. Os destaques peruanos são Deyair Reyes, do Sporting Cristal, Johan Rey, do Universitário, e Joaozinho Arroe, do Siena, e assessorado pelo mesmo empresário de Messi. O promissor meio-de-campo, aliás, era dúvida até momentos antes do torneio em virtude de uma lesão na cintura, mas, ainda assim, foi inscrito.

A safra uruguaia nascida em 1988 rendeu dividendos a celeste. O zagueiro Hugo Arismendi, o meia Gerardo Vonder Putten e o avante Elias Figueroa se tornaram conhecidos internacionalmente no Paraguai em 2004, quando eliminaram o Brasil. No ano seguinte, eles ainda se classificaram para a Copa do Mundo sub-17, do Peru. As promessas de Fábian Coito pretendem levar os cisplatinos novamente para o mundo, como seus colegas quatro anos mais velhos. Para isso, realizou-se a aposta em oito atletas do Danúbio, depois do surpreendente corte do brasileiro de ascendência uruguaia, Felipe de Souza, do Peñarol. O técnico assumiu a equipe com a proposta de universalizar o acesso e fez uma série de testes nos treinamentos, com a companhia atenta de Oscar Tabárez, da seleção principal.

Falar em evolução do futebol venezuelano soa quase como clichê. Contudo, vale lembrar que, na base, "La Vinotinto" também tem aprontado. No Sul-Americano de 2005, chegou às quartas-de-final, após vencer o Peru na primeira fase. Esse mesmo grupo ainda disputou o hexagonal final do sub-17 no Equador dois anos depois. Sob o olhar de Richard Páez, treinador do escrete adulto, os meninos comandados por Daniel de Oliveira chegam confiantes ao Rio Grande do Sul para consolidar o excelente momento dos profissionais no continente. Entre os vinte nomes escritos – selecionados a partir de 179 (!) - Josmar Zambrano é considerado o mais habilidoso. Por outro lado, o atacante Fernando Aristigueta demonstra uma desenvoltura física diferenciada.

Enquanto isso, no Equador, os resultados do selecionado principal não se refletem na base. Nos torneios da categoria, foram duas eliminações na primeira fase - como lanterna do grupo em ambas as vezes. Ainda que vencer esses campeonatos não se converta necessariamente em revelação garantida de atletas, os equatorianos procuram melhorar seu desempenho. Sixto Vizuete, técnico da sub-15 tricolor, confia em mudar essa história com o seu próprio exemplo na sub-18, que, contando com três atletas acima da idade, surpreendeu ao derrotar o Brasil e ficar com a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos. Para conseguir essa nova façanha, as esperanças repousam nos pés de Denis Quinónez, capitão da equipe, e do atacante José Gavica. [MM]

Grupo B

A cidade de Bento Gonçalves receberá as partidas do Grupo B, onde, além da favorita Argentina, também se encontram Bolívia, Chile, Colômbia e Paraguai.

A não renovação do contrato do treinador da seleção sub-17, Miguel Tojo, estremeceu a estrutura das categorias de base argentinas. A consecutiva renúncia do campeão mundial sub-20, Hugo Tocalli, em solidariedade ao colega, agravou ainda mais a situação. O fim da “era Pekerman”, porém, foi consolidado com a decisão recente do técnico do escrete sub-15, Jorge Theiler, de acompanhar Tocalli ao fim do Sul-Americano.

Ainda assim, existe a possibilidade de que esse ciclo se encerre como se iniciou – com mais uma conquista. As “perlas” de Theiler são os zagueiros Ignacio Amelli – sobrinho do ex-são paulino Amelli – e Esteban Espíndola e o atacante Daniel Villalba. “El Keko”, como também é conhecido Villalba, é um dos nomes mais promissores do River Plate. Em virtude de sua estatura e de sua velocidade, ele é comparado a outras duas revelações dos Millionarios – Aimar e Saviola. A ausência de seu companheiro de clube, Erik “Coco” Lamela – assediado pelo Barcelona em 2004 -, por sua vez, surpreende.

Ao contrário dos “albicelestes”, o Paraguai não enfrenta uma fase agitada. À frente dos garotos desde março, o ex-atacante Jorge Campos, que, inclusive, participou das Copas do Mundo de 1998 e 2002, realizou a preparação para a competição com amistosos na Argentina. Nem mesmo as derrotas sucessivas nessa volta cessaram as expectativas em torno de uma campanha semelhante à de 2004, quando a “albirrojita” foi campeã. A seleção composta, sobretudo, pelas promessas do Libertad possui como destaque o centroavante Jorge Cañete, do Olimpia.

O Chile anunciou César Vaccia como o novo treinador de seu selecionado sub-15 somente em setembro. A desclassificação prematura, ainda na primeira fase, no Sul-Americano passado, não suscitou nas autoridades chilenas o empenho em contratar um técnico com a devida antecedência. A aposta na experiência de Vaccia, apesar de acertada para as circunstâncias, não deverá mostrar resultado nesse momento. A não ser, claro, que o meio-de-campo Camilo Peña, da Universidad Católica, e seus companheiros surpreendam.

A Bolívia parte para esse Sul-Americano sem maiores aspirações, mas, ainda assim, querendo provar que a quarta colocação em 2005 não foi mera obra do acaso - ou da altitude. A base da equipe é formada por atletas da Academia Tahuichi, maior centro de formação boliviano e que revelou, entre outros, Erwin Sánchez, ex-meia e atual treinador da Bolívia. Ao todo, dez nomes revelados na academia foram convocados por Óscar Villegas. Eles se somam aos demais, chamados depois de se destacarem no campeonato nacional sub-15.

Comandada pelo excelente Eduardo Lara, a Colômbia espera chegar às semifinais dessa vez. Entre as principais estrelas colombianas, estão o zagueiro Cristian Peña, do Boca Juniors, e o atacante Luis Arturo Peralta, do Tolima. [MA]



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