Rafael Reis* - 12/07/2008
Atual campeã européia sub-17, sub-19 e adulta, a Espanha coloca à prova a partir desta segunda-feira (14 de julho) a sua supremacia continental na categoria para atletas com idade máxima de 19 anos, na fase final do Campeonato Europeu de juniores, na República Tcheca. Tudo sobre a competição, você acompanha aqui no Olheiros.
As sete seleções que sobreviveram às fases preliminares da competição, que são semelhantes às eliminatórias para a Euro ou para a Copa do Mundo, se juntam agora ao país anfitrião. Em jogo está não apenas o título, mas também seis vagas para o Mundial Sub-20 do próximo ano, que acontece no Egito.
As finais do torneio são disputadas em um formato bastante simples. As oito seleções são divididas em dois grupos e jogam entre si. Os dois times de melhor desempenho de cada chave avançam para as semifinais, disputadas em cruzamento olímpico. A decisão, no dia 26 de julho, reúne os vencedores desses confrontos.
Com a incorporação cada vez mais precoce dos jovens atletas aos profissionais, o Europeu sub-19 vem perdendo força e qualidade nas últimas temporadas. Atualmente, a maioria dos jovens destaques das seleções de base pula direto da seleção sub-17 para sub-21 ou profissional.
Com isso, o torneio ficará desfalcado de dois dos principais jovens astros do futebol mundial, o espanhol Bojan Krkic e o inglês Theo Walcott, que teriam idade suficiente para disputá-lo. O alemão Marin, que já defendeu as seleções adultas do seu país, também integra essa lista.
Mesmo assim, a competição ainda vê, em alguns momentos, o surgimento de alguns jogadores interessantes. Em 2001/02, Fernando Torres levou a Espanha ao título, sendo o artilheiro e o melhor jogador do torneio. Na decisão, a Fúria bateu a Alemanha, de Phillip Lahm, antecipando em seis anos a final da Euro-2008. No ano seguinte, na conquista do único título italiano na categoria, o zagueiro Chiellini e o meia Aquilani despontaram. O lateral-direito Sergio Ramos, campeão com a Espanha em 2003/04, é outro que apareceu durante o campeonato.
Nesta temporada, um dos nomes mais badalados vem de um país com muita tradição, mas de resultados pouco expressivos nos últimos anos. O atacante Kristztian Nemeth, que atua nos reservas do Liverpool, marcou cinco gols nas fases preliminares e conseguiu recolocar a Hungria nas finais de um torneio importante.
É lógico, no entanto, que esse Europeu sub-19 não se limita a Nemeth. Os países mais tradicionais respondem à ameaça húngara com nomes como os espanhóis Nacho Camacho e Aaron Ñíguez, o inglês Freddie Sears e os italianos Alberto Paloschi e Fernando Forestieri, todos já bastante badalados.
GRUPO A
Alemanha
Pode um time da categoria sub-19 ter o luxo de ignorar o talentoso meia Toni Kroos e, mesmo assim, realizar uma campanha de sucesso? A resposta é positiva e o melhor exemplo para a questão é o time alemão que irá à República Tcheca na condição de favorito para conquistar uma das vagas para o Mundial Sub-20 do ano que vem.
O técnico Horst Hrubesch optou por subutilizar os atletas da geração /90, dona do melhor futebol da temporada passada entre os sub-17 em âmbito continental e mundial. Com isso, além de Kroos, ficam na espera por uma chance Kevin Wolze e Dennis Dowidat. O atacante Richard Sukuta-Pasu, do Bayer Leverkusen, é a exceção e o único convocado daquele grupo.
A Alemanha também não terá o maior nome da geração /89, o meia-atacante Marko Marin, destaque da 2.Bundesliga pelo Borussia Mönchengladbach. O jogador pulou etapas, foi pré-convocado para a Eurocopa adulta e ficou grande demais para os sub-19, tanto que não foi utilizado em nenhuma das fases classificatórias do torneio.
Mesmo sem os garotos sub-18 e Marin, Hrubesch aposta em um elenco bastante talentoso, que tem como pontos fortes os irmãos gêmeos Sven e Lars Bender, ambos volantes do 1860 Munique, o meia Timo Gebhart, também do clube bávaro, o lateral-direito artilheiro Dennis Diekmeier (Werder Bremen) e o atacante Dennis Naki (Bayer Leverkusen).
Técnico: Horst Hrubesch
Artilheiros: Timo Gebhart (M, 1860 Munique) e Deniz Naki (A, Bayer Leverkusen) – 5 gols
Campanha: 4v, 1e, 1d, 24GP e 9GC
Títulos: 2 (1981, 1986)
Na temporada passada: semifinalista
Bulgária
Classificada pela primeira vez em 20 anos para a fase final do Campeonato Europeu da categoria, a Bulgária é um time de poucos gols a favor e também contra. Em seis jogos, o ataque funcionou somente seis vezes. Em compensação, a defesa foi furada em apenas três oportunidades.
O avanço búlgaro às finais pode ser considerado uma grande surpresa, já que o país conseguiu a segunda vaga do Grupo 9 da primeira eliminatórias apenas no saldo de gols – terminou empatado com a Dinamarca e atrás da Turquia. Na segunda fase classificatória, a Elite Round, o time passou com surpreendente facilidade, vencendo os três jogos que disputou.
Os búlgaros colocam toda a fé no meia-atacante Mikhail Aleksandrov, capitão do time, que atua nas categorias de base Borussia Dortmund. O “alemão”, que só não foi para o Liverpool por problemas na obtenção de visto de trabalho, é o cérebro da seleção e também o homem das bolas paradas.
Com exceção de Aleksandrov, a seleção do Leste Europeu não tem muito a mostrar para os fãs de um futebol bem jogado. Entre os outros nomes de certa relevância estão os atacantes Radoslav Vasilev, que atua no Readind, da Inglaterra, e Momchil Tsvetanov, do Litex Lovech, que marcou dois gols nas eliminatórias.
Técnico: Mihail Nikolov Badanski
Artilheiros: Momchil Tsvetanov (A, Litex Lovech) e Mihail Aleksandrov (MA, Borussia Dortmund-ALE) – 2 gols
Campanha: 4v, 1e, 1d, 6GP e 3GC
Títulos: 0
Na temporada passada: eliminada na Elite Round
Espanha
Atual bicampeã européia da categoria, a Seleção Espanhola tenta na República Tcheca o seu sexto título, o que a colocaria de maneira isolada como equipe mais vitoriosa da história da competição. Atualmente, os ibéricos dividem esse posto com a França. Ambos têm cinco troféus no currículo.
O forte time comandado por Ginés Melendez já nasceu vitorioso. A sua base mescla o elenco campeão sub-19 da temporada passada e a geração que conquistou a Europa e foi vice mundial sub-17 do último ano.
Do primeiro grupo, destacam-se o meia Daniel Parejo (Real Madrid), o lateral-direito Cezar Azpilicueta (Osasuna) e os atacantes Aaron Ñiguez (Iraklis Thessaloniki-GRE) e Emilio Nsue (Mallorca). O goleiro David de Gea (Atlético de Madrid), o volante Nacho Camacho (Atlético de Madrid) e os meias Fran Mérida (Real Sociedad) e Dani Aquino (Murcia) compõe o segundo time, que também poderia ter Bojan.
Apesar do elenco estrelar, a Espanha esteve longe de realizar uma campanha brilhante nas fases eliminatórias do torneio. Apesar de ainda estar invicta, a Fúria teve empates contra Sérvia e Liechtenstein (!) na primeira fase e só cresceu no segundo quadrangular, quando bateu Ucrânia, Turquia e Armênia.
Técnico: Ginés Melendez
Artilheiros: Emilio Nsue (A, Mallorca) – 3 gols
Campanha: 4v, 2e, 13GP e 4GC
Títulos: 5 (1995, 2002, 2004, 2006 e 2007)
Na temporada passada: campeã
Hungria
A melhor geração húngara das últimas décadas. A alcunha mostra a empolgação do país com o time de geração nascida em 89, comandados por Tibor Sisa. Equipe, que antes de classificar para a fase final do Europeu sub-19 desta temporada, já havia conseguido o feito igual no sub-17, há dois anos.
Aquela classificação apresentou ao continente Kristzian Nemeth, maior nome dessa geração. O atacante, que então defendia o MTK Hungria, acabou negociado com o Liverpool no último mercado de verão e, rapidamente, tornou-se a maior promessa da base de Anfield Road.
Devido a uma lesão, Nemeth atuou somente nove vezes com os reservas do Liverpool, mas anotou oito gols e ganhou a admiração do técnico Rafa Benítez, que deve lançá-lo entre os profissionais na próxima temporada. Em maio, ele foi convocado pela primeira vez para a seleção adulta, mas não entrou em campo.
No entanto, a Seleção Húngara não se resume a Nemeth. Há outros nomes interessantes, sendo que dois deles são companheiros do astro no Liverpool, o goleiro Peter Gulacsi e o atacante András Simon. O meia-esquerda Vlagyimir Koman, que estreou entre os profissionais da Sampdoria na última temporada e já deu, logo em seu primeiro jogo, uma assistência para gol, é o maior desfalque do time no torneio.
Técnico: Tibor Sisa
Artilheiro: Kristztian Nemeth (A, Liverpool) – 5 gols
Campanha: 5v, 1e, 16GP e 5GC
Títulos: 1 (1984)
Na temporada passada: eliminada na Elite Round
GRUPO B
Grécia
Comandada pelo artilheiro Konstantinos Mitroglou, atualmente no Olympiakos, a Seleção Grega foi a zebra da temporada passada e terminou a fase final do Europeu sub-19 com o vice-campeonato, perdendo a decisão para os espanhóis. Para este ano, as perspectivas são ainda melhores.
A expectativa é alta porque duas das principais peças daquela equipe continuam no elenco. O forte meia Giannis Papadopoulos, contratado pelo Olympiakos após se destacar do Iraklis Thessaloniki, e o badalado meia-atacante Sotiris Ninis (Panathinaikos), considerado a maior revelação da década do futebol do país e que chegou a figurar na lista de pré-convocados para a Eurocopa adulta.
Além dos remanescentes da campanha anterior, a Grécia viu o seu ataque ganhar dois bons reforços para suprir Mitroglou. Michalis Pavlis, do AEK Atenas, que já tem até mesmo partida da Champions League em seu currículo é o homem que atua pelos lados do campo, mas que também sabe finalizar, e Lefteris Marsoukas, da geração /90 do Olympiakos, atua mais dentro da área.
Nas fases preliminares do continental, os gregos comandados por Alexandros Alexiou passaram por seleções fortes, como Holanda e Rússia, que foi campeã sub-17 com essa geração há dois anos. O único tropeço foi a derrota para a Moldova na primeira rodada da Elite Round. Por mais bizarro que tenha sido o resultado, ele serviu para mostrar que os helênicos têm poder de recuperação, pois se reabilitaram da derrota e encerraram a chave na primeira colocação.
Técnico: Alexandros Alexiou
Artilheiro: Michalis Pavlis (MA, AEK Atenas) – 6 gols
Campanha: 4v, 1e, 1d, 14GP e 7GC
Títulos: 0
Na temporada passada: Vice-campeã
Inglaterra
Para um país que não conseguiu se classificar para a Eurocopa, a ida para a fase final do continental sub-19 pode ser considerada um alento e uma mostra de que, se a seleção adulta tropeça e coleciona fracassos, pelo menos as categorias de base vão bem, dando à Inglaterra a perspectiva de futuro de bons resultados.
Os ingleses não apenas chegaram à República Tcheca, como passaram pelas eliminatórias com a segunda melhor campanha. O time, então comandado Brian Eastick (recém-substituído por Noel Blake), só não venceu um dos seis jogos que disputou – já classificado, empatou sem gols com a Bielorússia, na última rodada da Elite Round.
O grande destaque da campanha inglesa neste Europeu Sub-19 é a sua defesa, vazada apenas duas vezes. Três promissores nomes se revezaram como zagueiros de área, Cieran Clark (Aston Villa), James Tomkins (West Ham) e Krystian Pearce (Birmingham), um dos melhores atletas da posição no último Mundial sub-17.
No setor ofensivo, a grande esperança é Freddie Sears. O atacante apareceu com força na segunda metade da temporada inglesa, marcando um gol logo em sua estréia pela equipe principal do West Ham. Scott Sinclair (ex-Chelsea) ajuda o garoto, carregando a bola até o ataque.
Técnico: Noel Blake
Artilheiro: Tope Obadeyi (A, Bolton) – 4 gols
Campanha: 5v, 1e, 17GP e 2GC
Títulos: 1 (1993)
Na temporada passada: eliminada na Elite Round
Itália
Raras vezes a Itália chega a uma competição de base com um time tão forte e quase nunca, em uma condição tão destacada. Dona da melhor campanha das eliminatórias (foram seis vitórias em seis jogos), a equipe do técnico Francesco Rocca é, ao lado da Espanha, a favorita para vencer o Europeu.
Título que seria apenas o segundo da história do país na categoria sub-19. Apenas a geração /84, de Chiellini, Aquilani, Palladino e Pazzini, conquistou essa façanha anteriormente. Muito pouco para quem tem o futebol mais vitorioso do continente e se orgulha dessa marca.
Nesta Seleção Italiana, não faltam nomes que já estrearam na Serie A do Calcio. E muitos deles, inclusive, atuando por equipes grandes, algo raro para jovens do país. A forte defesa, vazada apenas duas vezes na campanha, é comandada por Matteo Darmian, do Milan. Os rossoneri têm ainda o atacante Alberto Paloschi, revelação da última temporada, que atua ao lado do romanista Stefano Okaka Chuka.
Mas o nome da maior talento da equipe está na ligação entre o meio-campo e o ataque e atende pelo nome de Fernando Forestieri. Um ano mais novo do que a maioria dos integrantes do elenco, o ítalo-argentino foi titular do Siena durante boa parte da última temporada e mostrou porque, no passado, foi motivo de briga entre Boca Juniors e Genoa.
Técnico: Francesco Rocca
Artilheiro: Andrea Mazzarani (M, Cisco Roma) – 3 gols
Campanha: 6v, 14GP e 2 GC
Títulos: 1 (2003)
Na temporada passada: eliminada na Elite Round
República Tcheca
A safra que foi vice-campeã européia sub-17 há dois anos, após perder a final para a Rússia, está de volta e agora tem a vantagem de poder disputar o continental Sub-19 em casa, com o apoio de sua torcida.
Torcida que terá que vibrar muito para empurrar a geração /89, que nitidamente evoluiu pouco em comparação a de outros países, como Espanha e Itália, desde que o Europeu Sub-17 de 2006 foi disputado.
A força dos tchecos está concentrada em um sólido sistema defensivo. Ondrej Mazuch, que se transferiu do Brno (onde tinha feito apenas 27 jogos) para a Fiorentina na temporada passada por 2,8 milhões de euros terá a companhia de Jan Polak, do Slovan Liberek, que integrou a seleção européia na Meridian Cup do ano passado. À frente deles, como cão de guarda, atua Jan Hable, outro talento pinçado pela Fiorentina na República Tcheca.
Na frente, há apenas um nome de digno de maior atenção. Trata-se de Tomás Necid, formado pelo Slavia Praga, mas que disputou a última temporada local pelo Jablonec 97. Camisa 10 na campanha sub-17, ele tinha a companhia de Tomás Pekhart, atualmente no Chelsea, que concluía suas jogadas. Agora, terá que resolver tudo sozinho.
Técnico: Jakub Kovalil
Artilheiro: não participou das fases anteriores
Campanha: não participou das fases anteriores
Títulos: nenhum
Na temporada passada: eliminada na Elite Round
*Colaborou Guilherme Pannain.
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