Rafael Reis - 22/07/2008
Milan Smiljanic chegou ao Espanyol na última temporada, pouco depois de ajudar a Sérvia a obter uma vaga para os Jogos Olímpicos de Pequim, que vão ser disputados no próximo mês. Prontamente, adotou o apelido Lola, dos tempos de infância, nome muito mais apropriado à língua espanhola e aos torcedores do segundo time de Barcelona.
Apesar de não ter se firmado como titular absoluto do Espanyol, Lola foi bastante utilizado pelo técnico Ernesto Valverde. Volante de 21 anos, o sérvio falou com exclusividade ao Olheiros sobre a sua primeira temporada longe de casa, justamente a temporada preparatória para a Olimpíada.
Smiljanic revelou ainda a linha de produção do Partizan Belgrado, clube que o revelou e que possui uma das mais valiosas categorias de base do Leste Europeu. Algumas das maiores promessas da região deram seus primeiros passos no alvinegro. Entre elas, Stevan Jovetic, negociado recentemente com a Fiorentina e a quem Lola rasga elogios.
Olheiros – Como surgiu o apelido Lola e por que usá-lo na camisa, algo incomum para atletas sérvios?
Lola – Meu pai me deu esse apelido ainda quando eu era pequeno. É um tipo de diminutivo que usamos para as crianças. Gosto bastante desse “nome” e, por isso, sempre o utilizei. Para mim, soa como um apelido carinhoso e quero continuar o carregando.
Olheiros – Partizan Belgrado, o clube que o revelou, tem uma das mais lucrativas categorias de base da Europa. Qual o segredo do sucesso desse trabalho?
Lola – Não tem segredo nenhum. O sucesso é fruto de trabalho muito sério realizado em todas as categorias. Eles criaram uma espécie de escola, em que os meninos vão subindo categorias e aprendendo a cada ano novos detalhes para aprimorar a técnica individual. Isso permite ao Partizan ter duas ou três novas revelações no time de cima por temporada. É algo que já acontece há muitos anos.
Olheiros – O montenegrino Stevan Jovetic, seu ex-companheiro de Partizan, é considerado um dos jovens mais promissores do futebol europeu. Ele justifica realmente toda essa expectativa?
Lola – Jovetic é meu amigo, então tudo o que eu falar sobre ele será positivo. Estou brincando, ele realmente merece esses elogios. Mesmo muito jovem (tem 18 anos), foi capitão do Partizan, o que demonstra toda a importância que teve para a equipe. É um jogador muito bom tecnicamente e não me causa surpresa o que seu nome tenha sido perseguido por muitos dos maiores clubes do continente.
Olheiros – Os clubes da Sérvia possuem categorias de base expressivas, mas não figuram entre as forças do cenário europeu. Na sua opinião, por que isso acontece? Como mudar essa situação?
Lola – Não sei o que pode ser feito. A Sérvia sempre teve jogadores muito bons, graças ao ótimo trabalho desenvolvido pelo país nos esportes coletivos. Muitos clubes europeus acompanham a nossa Liga para contratarem atletas. Então, não entendo por que não temos bons resultados nas competições interclubes.
Olheiros – Qual a sua expectativa para os Jogos Olímpicos de Pequim? Como evitar que o fiasco de Atenas se repita com a Sérvia?
Lola – Minhas expectativas são muito boas. Espero ser convocado e confio que teremos uma seleção que possa ser competitiva. Essa é uma experiência que ninguém pode perder e uma oportunidade única para apagarmos o mau resultados que tivemos na Grécia.
Olheiros – A seleção sérvia que disputou o último Europeu Sub-21 contava com muitos jogadores nascidos em 1984, ou seja, acima da idade permitida para atuarem na Olimpíada. Você era uma das raras exceções. Mesmo assim, a Sérvia conseguirá levar um time forte à China?
Lola – Acho que mesmo assim temos uma boa equipe. Contamos com jogadores de qualidade e esperamos fazer um bom papel nesses Jogos Olímpicos, porque poucos são os atletas que conseguem participar de mais de uma Olimpíada. Então, é agora ou agora.
Olheiros – Com a chegada de Miroslav Djukic ao comando da seleção principal da Sérvia, as suas chances de se firmar no time adulto aumentam, já que vocês trabalharam juntos no Partizan?
Lola – Djukic é um grande treinador. Ele é muito jovem, assim como Ernesto Valverde, mas tem uma característica muito boa, que é conversar demais com os seus atletas. Ele trata a todos da mesma forma, sejam jovens ou veteranos. Não sei se estarei na seleção, mas sei que ele é o melhor técnico da Sérvia.
Olheiros – Como explicar a queda de rendimento do Espanyol no segundo turno do Campeonato Espanhol? A ausência de Tamudo em várias rodadas foi o maior problema? E como é a relação dele, um deus no clube, com os atletas mais jovens?
Lola – A má fase do Espanyol não teve só um motivo. Perdemos partidas injustamente e cometemos muitas falhas. Realmente, não somos uma equipe tão forte quanto a do primeiro turno. Sobre Tamudo, é um jogador extraordinário, um exemplo para todos. Qualquer time sentiria a sua baixa, mas todo mundo se esforçou para compensar sua ausência. Ele é um jogador que ajuda os seus companheiros e sempre se oferece para ajudar a todos em todos os momentos.
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