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Coberturas especiais

CSP'09: diário de bordo 2

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Pedro Venancio - 30/11/2008

Durante a semana, conversei muito com os meninos. Cada um tem sua história, seu passado, seu temperamento, e tudo isso se reflete no estilo de jogo. Estava atrás de uma história para contar aqui, quando, na terça-feira, o lateral-esquerdo Junior fez um discurso emocionado para o grupo.

Perguntei se ele topava me contar sua história de vida e, diante da resposta positiva, comecei a entrevista. Foi um bate-papo tranqüilo e breve, que nem de longe lembra a velha resenha furada dos profissionais que dão entrevistas diariamente.

Dentro de campo, Junior é um lateral-esquerdo destro, cumpridor de suas funções, obediente taticamente. Não vai muito à linha de fundo, mas cruza bem e é um dos cobradores de faltas e escanteios do MAC sub-18.

Fora das quatro linhas, é o que podemos chamar de baixinho arretado. Um menino-homem que dribla as dificuldades que a vida impõe, sempre com um sorriso fácil no rosto.

Aos 18 anos, é pai de William Victor, de um ano e quatro meses. Seu filho tem paralisia cerebral e faz tratamento em um hospital de São Luís, duas vezes por semana.

Sua mãe é empregada doméstica e vive em uma casa simples, de taipa. Junior tem cinco irmãs, sendo duas mais velhas. Seu pai, pescador, morreu em 2005, em um acidente de carro.

Em razão da paternidade, Junior abandonou os estudos na 8ª série. Desde então, ele paga as contas da família com o dinheiro que descola em campeonatos de bairros da capital maranhense.

Por muito menos, as pessoas se entregam, ou se escondem debaixo de suas tragédias. Junior, não. Enfrenta tudo com a mão na massa e o pé na bola. E contou como foi sua peneira no Flamengo: com apenas 1,65 e 12 anos, já era lateral, mas não havia zagueiros no teste. O treinador o colocou no miolo de zaga, e Junior não decepcionou: coroou sua atuação com um gol de bicicleta. Após o gol, o observador técnico carioca, Suzarte Ramos, o colocou em sua real posição. E ele fez seu segundo gol, selando sua aprovação.

Ficou seis meses no pólo maranhense do Flamengo e depois passou por Cefama, Sampaio Corrêa, Americano-MA e Uniclinic-CE, até chegar no MAC para a disputa da Copinha.

Evangélico, seu ídolo no futebol é Kaká, “pela humildade e postura em campo”, explica.

Perguntado sobre o que o futebol significa na sua vida, abre mais um sorriso e diz. “É a minha alegria e o meu sustento. Me sinto feliz por ter esse dom”, afirma.

Na Copa São Paulo, Junior quer chegar o mais longe possível. “Pretendemos passar pelo menos da primeira fase, para que os empresários possam nos ver com mais atenção. E podemos ser campeões”, diz o jogador. Alguém duvida?

Amistoso

O MAC enfrenta neste domingo pela manhã o Flamengo-PI, que também irá para a Copinha. Recentemente, os piauienses venceram o Ceará em um amistoso, o que aumenta a expectativa sobre o jogo.

Os atleticanos treinaram forte durante a semana inteira e prometem uma grande exibição. O amistoso faz parte da preparação de ambas as equipes para o torneio paulista, que ainda inclui um quadrangular a ser jogado em Teresina, no próximo fim de semana.

O técnico Álvaro Serafim adiantou que usará os 18 jogadores relacionados, para poder observar como os meninos se comportam em uma partida. “Treino é treino e jogo é jogo”, observa o treinador.

O resultado da partida e outras novidades, você confere na quarta-feira, no Olheiros.



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