Pedro Venancio - 13/12/2008
Ao longo de sua história, a Copa São Paulo revelou muitos jogadores, pôs à prova o potencial de outros, colocou times pequenos em evidência no cenário nacional e mapeou o estado de São Paulo com várias cidades recebendo equipes e fazendo as vezes de anfitriãs. Poucos se lembram, porém, dos técnicos que surgem na Copinha como campeões e, principalmente da seqüência de suas carreiras.
Nesse Campeonato Brasileiro, o treinador santista Márcio Fernandes é um exemplo de que apostar em soluções caseiras pode dar certo. No início do ano, Márcio comandou o “Peixe” na Copinha . Foi eliminado pelo Inter, nos pênaltis, após estar vencendo por 3 a 1 no tempo normal daquele que foi o jogo mais emocionante do torneio.
No Brasileirão, o comandante santista salvou a equipe principal do rebaixamento após o fracasso de Cuca, treinador renomado e bem mais caro, na tentativa de acertar a equipe.
Outro que se deu bem foi Marcelo Oliveira, técnico do Atlético Mineiro. Com profundo conhecimento da base atleticana, Marcelo assumiu no lugar de Alexandre Gallo e colocou os mineiros em uma posição bem mais tranqüila na tabela, além de consolidar a revelação de talentos como Renan Oliveira e Sheslon.
Outros treinadores das Séries A e B também conseguiram destaque na Copinha, com títulos e finais, mostrando que trabalhar com meninos pode ser uma boa escola também para quem comanda as equipes. Olheiros fez uma lista com alguns deles. Confira!
Vanderlei Luxemburgo
Antes da fama, dos ternos e do discurso papagaiado, Luxa trabalhava duro com os moleques da base do Fluminense, em 1986. Conquistou a Copa São Paulo e revelou dois baixinhos que sempre são lembrados em dupla: Alberto e João Santos, que formavam o setor criativo do Bragantino, campeão paulista de 1990. O Braga contava com outro ex-tricolor, o atacante Sílvio, além de alguns jovens vindos do Guarani, treinados por Vanderlei no ano anterior, como Gil Baiano e o tetracampeão Mauro Silva.
A passagem pelo Bragantino catapultou sua carreira e foi fundamental para os cinco títulos brasileiros conquistados sem muito auxílio das divisões de base dos clubes. A exceção fica por conta do Santos de 2004, que não foi montado por ele e já tinha um Brasileirão no currículo. O Cruzeiro de 2003 também tinha jogadores revelados no clube, como Gomes, Wendell e Augusto Recife, mas era um time formado majoritariamente por jovens que se destacaram em outros clubes antes, como Maurinho, Leandro, Deivid e o craque Alex, então com 26 anos.
Ney Franco
O atual técnico botafoguense trabalhou muitos anos na base do Cruzeiro como um ilustre desconhecido e revelou jogadores como Geovanni, Jussiê, Jefferson, Zé Roberto (Schalke 04) e Luizão. Foi vice-campeão da Copa São Paulo em 2002 com um time comandado pelo selecionável Gomes, atualmente no Tottenham e por Wendel, hoje no Bordeaux.
Sua primeira oportunidade concreta em equipes profissionais foi no Ipatinga, em 2005. O título mineiro veio com uma vitória, no Mineirão lotado, diante do Cruzeiro. No ano seguinte, o vice-campeonato estadual e uma excelente campanha na Copa do Brasil atraíram o interesse do Flamengo, seu algoz nas semifinais, para as finais contra o Vasco.
Nas finais da Copa do Brasil, o treinador foi ousado e escalou Renato Augusto, então com 18 anos, na equipe titular. A vitória sobre o rival deu crédito a Ney, e ele pôde levar para a Gávea alguns de seus antigos pupilos para a Gávea, como Walter Minhoca, Diego Silva, Irineu, Moisés, Léo Medeiros e Paulinho. Desses, apenas os dois últimos conseguiram relativo sucesso com a camisa rubro-negra.
Nas passagens por Atlético Paranaense e Botafogo, respectivamente, o técnico não promoveu muitos juniores e manteve uma espinha dorsal mais experiente.
Ricardo Drubscky
Com passagens pelos três grandes de Minas na base, Drubscky carrega no currículo o título da Copinha de 1996, com o América Mineiro. Naquele time, destacavam-se os atacantes Rinaldo e Baiano, o meia Heitor, o volante pentacampeão Gilberto Silva e o zagueiro Willian, capitão do Corinthians na conquista da Série B.
No comando do Ipatinga, não teve muita sorte e acabou demitido no início do segundo turno. A campanha não foi nada animadora: em 15 jogos, três vitórias, três empates e nove derrotas.
Márcio Araújo
O treinador, conhecido por seu discurso motivacional, também tem um título da Copinha no currículo: em 1993, com o São Paulo. A torcida curtia a ressaca do primeiro título mundial, conquistado menos de um mês antes, contra o Barcelona, mas já observava garotos como Rogério Ceni, Jamelli, Caio, Pereira e Pavão. Foi o único treinador a disputar três finais consecutivas na história da competição, entre 1992 e 1994. Apesar de ter vencido apenas uma delas, saiu invicto das três: perdeu nos pênaltis para Vasco e Guarani.
Após uma série de temporadas mal sucedidas, Márcio deu a volta por cima em 2008, no Grêmio Barueri. A conquista da vaga na Série A ajuda a recuperar o prestígio do treinador, que participou da queda do Coritiba, em 2005, e do Fortaleza, em 2006, além de salvar o Goiás apenas na última rodada em 2007.
Outros técnicos
Ainda com o nome de Roma, o Grêmio Barueri levantou a taça em 2001, vencendo o São Paulo de Hugo, Kaká e Júlio Baptista nos pênaltis. O time, que tinha como destaques o lateral Itabuna – que adulterou a idade -, o atacante Thiago e o zagueiro André Astorga, que chegou a jogar pelo Benfica. O técnico era Marcelo Villar que, cinco anos mais tarde, teve a grande chance de sua vida no Palmeiras. Marcelo dirigiu o clube na Taça Libertadores, após a demissão de Émerson Leão. Em 2008, comandou o Central-PE e o Treze-PB.
Outro campeão do início da década, Edu Marangon não consegue decolar na carreira, assim como quase todos os jogadores da Portuguesa de 2002. O técnico assumiu os profissionais no mesmo ano e foi rebaixado, dando início a um período de cinco anos na segundona para os lusitanos, interrompido nesse ano, mas com o retorno já assegurado para 2009. Edu assinou com o Juventus e fica na Rua Javari até o fim do Paulistão, se os resultados permitirem.
O Moleque Travesso também acolheu Écio Pasca, treinador campeão com a Lusa em 1991 com a melhor campanha da história da Copinha. Pasca tem como um dos poucos trabalhos relevantes em equipes profissionais o vice-campeonato da Série C em 1997, quando a equipe da Rua Javari revelou o atacante Róbson Ponte, ex-Guarani e Bayern Leverkusen.
No mesmo lugar
Alguns treinadores, no entanto, continuam no mesmo lugar onde faturaram a Copinha, ou voltaram após algum tempo rodando pelo mundo da bola. É o caso de Adaílton Ladeira, campeão pelo Corinthians em 2004 e 2005, com uma equipe que tinha Jô e Bobô no ataque, além de Rosinei e do pequenino Élton na armação de jogadas. Os zagueiros Betão, Carlão e Fábio Ferreira também faziam parte da equipe.
Guto Ferreira, campeão com o Internacional em 1998, é o atual coordenador técnico das divisões de base do clube e, naturalmente, um dos responsáveis pela contínua revelação de talentos colorados nos últimos anos.
O caso mais curioso, porém, é o de Gaúcho. O treinador levantou o caneco em 1992, pelo Vasco, em um time que tinha Valdir, Bruno Carvalho, Gian e Yan. Após 16 anos, retorna ao clube de carona com a nova diretoria e quer buscar o bi. Gaúcho é o último técnico a conquistar uma Copinha por uma equipe do Rio.
O atual campeão, Rogério Micale, continua no Figueirense e é apontado como o grande responsável pela formação de talentos como Felipe Santana e Soares (descoberto no Londrina), que renderam uns bons trocados nos cofres da equipe catarinense.
Completam a lista nomes obscuros como Cândido Farias, que conquistou a Copinha pelo América-SP, e eternos treinadores de base, como Pupo Gimenez, do Guarani, Ivan Silva, do Corinthians, Rotta, do Santo André e Ernesto Paulo, campeão com o Flamengo em 1990. Em 2009, mais um treinador levantará a taça e colocará no currículo o título mais importante da base nacional. É a chance de Marcos Vizolli, Osmar Loss, Julio Camargo e mais 85 profissionais que buscam um lugar ao sol num mundo competitivo e cheio de reviravoltas. Façam suas apostas!
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