Pedro Venancio - 21/12/2008
Costuma-se dizer que fazer ou cobrir futebol no Maranhão é uma grande aventura. As dificuldades são imensas, o trabalho é, por vezes, hercúleo, e a recompensa muitas vezes não chega, frustrando os sonhos de quem tenta algo. Alguns amigos brincam comigo quando eu falo que sou repórter de futebol aqui no Maranhão. Dizem que sou um escritor de ficção.
Eles estão errados. O futebol existe aqui e é um grande traço da cultura local. Os campeonatos de bairros pegam fogo no domingo e muitos grandes jogadores surgem nesses campeonatos amadores. O problema é o futebol profissional, que é ridículo. Não pelos jogadores, mas pela megalomania de uns puxa-sacos que chegam a escrever em jornais que o futebol maranhense é o melhor do Brasil e pelo desprezo de pessoas “cosmopolitas e “esclarecidas” que não acreditam que alguma coisa possa dar certo aqui no Maranhão. A situação se arrasta às divisões de base.
Nesse mês que passei trabalhando no MAC, vi muitas coisas legais. Bons profissionais, um clima bacana, uma estrutura razoável e a esperança nos olhos de cada menino quando era perguntado sobre seu objetivo na Copinha. Apoio, que é fundamental, ninguém deu.
Ou melhor, quase ninguém. O diretor técnico Kenard Rocha ficou sozinho na parada. Os dirigentes do clube profissional não iam aos treinos, quase não falavam com os garotos e contribuíram pouco para resolver os problemas que surgem. E, convenhamos, não são poucos.
Na última semana, o técnico Álvaro Serafim se afastou do clube, alegando problemas particulares. Kenard assumiu e acumulou mais uma função para desempenhar em São Paulo.
Os problemas não param por aí: o clube contava com o apoio do governo do estado para conseguir as passagens para a Copinha. O governo, às voltas com o processo de cassação do governador Jackson Lago, não deu a mínima bola. O abacaxi, portanto, está nas mãos de Kenard, que teve de cortar quatro jogadores por contenção de despesas e, é claro, a cobertura jornalística, que seria feita por mim para o Olheiros e um jornal da capital maranhense.
Pessoalmente, estou triste pelos jogadores cortados. Acho que seria uma excelente oportunidade de divulgar o futebol de um centro menos desenvolvido em São Paulo e fazer um trabalho extremamente prazeroso. Torço pelos meninos na Copinha, e acredito no potencial deles, que sempre me receberam muito bem. Peço desculpas aos leitores por não poder seguir nessa aventura e desejo um feliz natal a todos.
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