Equipe Olheiros.net - 29/12/2008
Todo começo de temporada a mesma coisa: críticas e mais críticas ao inchaço da Copa São Paulo e comentários dando conta de que o torneio se tornou, com o passar do tempo, um verdadeiro balcão de negócios. Obviamente, não se tratam de verdades absolutas, mas têm lá a sua razão e devem ser levadas em conta para uma melhora do nível da competição. Para alcançar esse objetivo, contudo, não se deve reduzir drasticamente o número de clubes no certame. A solução ideal é aplicar um pente-fino mais rigoroso na seleção dos participantes, e é essa a opinião do Olheiros.
Assim, estarão a salvo agremiações tradicionais do futebol brasileiro, que, apesar de não estarem perfiladas entre as maiores do país, contribuíram para a consolidação de campeonatos como a Copinha. São inúmeros os jogadores que foram revelados por esses clubes no torneio e depois conquistaram os gramados mundo afora. Com isso em mente e buscando ressaltar a relevância da presença dessas equipes, o Olheiros fez um evantamento com alguns dos atletas hoje famosos que, ainda jovens, se destacaram na competição por times menores. Confira! (Marcus Alves)
Raí, do Botafogo (SP) – 1985
Casado, com um filho e tendo conquistado já certo destaque no basquete. Esse foi o Raí que chegou ao Botafogo de Ribeirão Preto em 1983 e conduziu o clube, dois anos mais tarde, a uma campanha razoável na Copa São Paulo. Mesmo tendo ficado apenas nas oitavas-de-final, o jogador, que, até então, era considerado apenas o irmão de Sócrates, foi apontado por todos como a maior revelação daquela temporada. Entre os profissionais da Pantera, formou meio-de-campo com Marco Antônio Boiadeiro e Gallo antes de uma passagem ruim pela Ponte Preta e sua contratação pelo São Paulo em 1987. No Morumbi, demorou a engrenar, mas, a partir de 1991, deslanchou e liderou a equipe em suas inúmeras conquistas, tendo faturado, ainda, o Mundial de 1994 pela seleção brasileira e marcado época no PSG. (Marcus Alves)
Roberto Carlos, do União São João – 1992
Antes mesmo de surgir na Copa São Paulo de 1992, Roberto Carlos já era uma realidade. Com pouco mais de 14 anos, já tinha atuado pelo time principal do União São João, e em 1991, sagrado-se vice-campeão mundial sub-20 com a seleção. Durante a Copinha, foi um dos expoentes da equipe de Araras, com sua velocidade e fôlego acima da média e por seus chutes venenosos. Logo em seguida, a Parmalat tirou-o do interior e o levou para fazer parte de uma das mais vitoriosas equipes que o Palmeiras já teve. Daí para frente, todo mundo já sabe: passagens de sucesso pela seleção brasileira, com participação em três Copas do Mundo e um título mundial; pela Internazionale de Milão e, principalmente, pelo Real Madrid, onde conquistou o bicampeonato mundial interclubes e, em 1997, foi eleito o segundo melhor jogador do mundo. (Lincoln Chaves)
Deivid, do Joinville – 1999
Vindo das categorias de base do Nova Iguaçu-RJ, clube da cidade natal, o jovem atacante, já com 50% de seus direitos com empresários, foi cedido para a equipe do tricolor catarinense que disputaria a Copinha daquele ano (onde, por ironia, também esteve o Nova Iguaçu). O JEC se deu bem: passou em primeiro lugar no seu grupo, com boa ajuda dos gols de Deivid. A campanha não duraria muito – o time foi eliminado nas oitavas pelo Capivariano -, mas, após a Copinha, o avante já estava integrado ao elenco profissional do Coelho. E, tendo começado o estadual como artilheiro do clube, não demorou para o Santos adquiri-lo, como “vitrine”. Outra Copa São Paulo veio, em 2000, com Deivid ocupando lugar de destaque no Peixe, fazendo dupla com Weldon, no ataque. E o resto é história. Que Deivid escreve, hoje, vestindo a camisa do Fenerbahçe. (Felipe dos Santos Souza)
Luisão, do Juventus – 2000
Na equipe do Moleque Travesso que ficou com o vice em 2000, os torcedores juventinos punham mais fé, a bem da verdade, no atacante Gaúcho - artilheiro da Copinha no ano, com nove gols - e no meia Zé Roberto, hoje no Schalke 04. No time que era alimentado pelos jogadores da Euroexport, poucos prestaram atenção num zagueiro espigado e imponente, um dos responsáveis pela bela campanha da primeira fase, com 100% de aproveitamento (incluindo um 12 a 0 contra o São Raimundo-AM), e pela chegada à final que deixou Grêmio e Santos pelo caminho. O Cruzeiro prestou. Logo após a Copa São Paulo, contratou o beque, que uniu-se à geração que surgia na Raposa, de Jussiê, Jefferson e Augusto Recife. Na Copa João Havelange, Luisão já era dos profissionais. E pode brilhar agora, com o encarnado do Benfica, porque já mostrara segurança envergando o grená, em seu período na Rua Javari. (Felipe dos Santos Souza)
Cleiton Xavier, do CSA-AL – 2002
Até hoje sem uma final disputada, o futebol nordestino não costuma se dar bem quando o assunto é Copa São Paulo. A história se repetiu em 2002 para o CSA, que foi eliminado na primeira fase em um grupo com Coritiba, Vasco e Barueri. Entretanto, a campanha que durou apenas três jogos não impediu um meia-atacante de se destacar: Cleiton Xavier. Levado à equipe principal, teve bom rendimento mais uma vez, agora na Copa Nordeste de 2003, o que o incluiu junto a Rubiano em um pacote azulino com endereço ao Beira-Rio. Com pouco espaço no Inter, o jogador foi emprestado para Sport, Marília e Gama antes de se firmar no Figueirense. Acaba de ser rebaixado com o clube catarinense, mas os 12 gols marcados no Brasileirão lhe garantiram um contrato com a Traffic, parceira do Palmeiras. (Henrique Moretti)
Fred, do América-MG – 2003
Na Copa São Paulo de 2003, Fred precisou de apenas 3,17 segundos para anotar seu nome na história do futebol: foi o tempo necessário para abrir o placar contra o Vila Nova, gol mais rápido até hoje. Os goianos até viraram o jogo em 5 a 1, mas foi o artilheiro do Coelho quem apareceu nos noticiários. "O Predestinado" não foi suficiente para fazer o América passar da primeira fase, mas logo subiu para o profissional e fez sucesso no Independência. Negociado com o Cruzeiro, se tornou ídolo em pouco tempo até ser vendido por 11 milhões de euros ao Lyon. (Braitner Moreira)
Richarlyson, do Santo André – 2003
Em 2003, o Santo André fez bela campanha na competição, chegando à sua conquista de forma invicta depois de bater adversários como São Paulo, Palmeiras e Cruzeiro. Não bastasse isso, ainda revelou jogadores interessantes como Alex, Richarlyson, Nunes e Denni. Autor do gol do título, o atual volante tricolor desembarcou no Morumbi em 2005, depois de uma polêmica com dirigentes palmeirenses em torno de sua contratação. Antes disso, jogou também por Fortaleza e Red Bull Salzburg, da Suíça. Polivalente, faturou, nessa mesma época, a Copa do Brasil, que acabou impulsionando sua carreira. Em 2007, a revelação do Ramalhão brilhou no Brasileiro, alcançando até mesmo a seleção brasileira. Em baixa, tentará recuperar a forma na próxima temporada. (Marcus Alves)
Thiago Ribeiro, do Rio Branco-SP -2004
Um cartão amarelo a menos de Thiago Ribeiro e a campanha do Rio Branco na Copinha de 2004 poderia ter sido diferente. Grande destaque do Tigre naquela competição, o atacante recebeu duas advertências no início da fase final, quando com dois gols ajudou seu time a eliminar os favoritos Cruzeiro e Portuguesa, ficando fora do jogo contra o São Paulo – substituído por Adônis, Ribeiro viu o Rio Branco cair nos pênaltis por 7 a 6 após um empate por 2 a 2. Curiosamente, dois gigantes que cruzaram o caminho do time interiorano em 2004, a Raposa e o tricolor, fariam parte do futuro de Thiago pouco tempo depois. Atualmente com 24 anos, o atleta também já rodou por Al-Rayyan e Bordeaux, para onde foi levado logo após brilhar nos gramados da Copinha. (Henrique Moretti)
Réver, do Paulista (SP) – 2004
A campanha do Paulista na Copa São Paulo de 2004 foi curta, mas por puro azar, já que o time caiu na mesma chave do campeão Corinthians. Boa parte daquele jovem grupo estaria na surpreendente conquista da Copa do Brasil, no ano seguinte. E entre eles, estava Réver, que também participaria da campanha do Galo do Japi na Libertadores de 2006. Apesar da curta passagem da equipe na Copinha, o zagueiro, notabilizado por sua altura e por atuar como volante quando necessário, já mostrava a seriedade que o consagraria. No segundo semestre de 2007, foi para o Al-Wahda, dos Emirados Árabes, onde não chegou a atuar devido a uma lesão na pré-temporada. Após retornar ao time de Jundiaí, foi negociado com o Grêmio para, ao término da temporada, ser escolhido um dos três melhores defensores do Brasileirão 2008. (Lincoln Chaves)
Thiago Neves, do Paraná – 2005
Sem muito destaque no Brasileiro de 2004, Thiago Neves voltou aos juniores do Paraná para disputar a Copa São Paulo em 2005, sua terceira. Formando a base ofensiva do time ao lado de Vandinho e Elton, por muito pouco não ajudou o clube bicolor a emplacar uma zebra na final: o Paraná só caiu na semifinal, levando uma virada do Nacional-SP nos minutos finais. De volta aos profissionais, assumiu a titularidade e conduziu o clube à sétima posição do Brasileiro, saindo da briga pela Libertadores apenas nas rodadas finais. Melhor jogador do Brasileiro em 2007, atuando pelo Fluminense, está hoje no Hamburgo. (Braitner Moreira)
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