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CSP'09: pernambucanos de fora outra vez

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Frederico Lira - 03/01/2009

O final do ano de 2008 foi – pelo menos em termos de resultados – excepcional para as divisões de base de Pernambuco. Para um estado onde os clubes pouco investem na estrutura de formação dos seus jovens atletas, ter dois representantes entre os quatro semifinalistas do Campeonato Brasileiro – disputado no Rio Grande do Sul, no início de dezembro – é motivo de orgulho e, sobretudo, comemoração. Ainda que, conforme abordou o Olheiros nas últimas semanas, os feitos do vice-campeão Sport e do quarto colocado Náutico, em solo gaúcho, pouco tenham a ver com eventual um trabalho bem feito nas divisões básicas, é impossível não reverenciar o desempenho desses garotos, superando as mais diversas adversidades para ir longe na competição.
 
Evidentemente, a proeza de rubro-negros e alvirrubros contribui para gerar um cenário de euforia e otimismo no Recife. Assim como ocorre em toda virada de ano, na “Veneza brasileira”, a promessa dos dirigentes é de, enfim, voltar as atenções para a base. Nada mais apropriado, então, do que verificar a qualidade e competitividade da geração sub-18 dos três grandes da capital na maior competição de juniores do país, certo? Não dessa vez...

Pelo terceiro ano consecutivo, nenhum representante do trio-de-ferro recifense participará da Copa São Paulo de Futebol Júnior. A última vez em que um dos três esteve presente no torneio foi em 2006, quando o Santa Cruz foi eliminado na primeira fase, sem marcar nenhum ponto, em um grupo que ainda tinha Goiás, Atlético Sorocaba e Piauí. O ano de 2005, por sua vez, marcou a última oportunidade em que pelo menos dois de Náutico, Sport e Santa Cruz atuaram conjuntamente na Copinha. Naquela ocasião, o Leão e a Cobra Coral foram a São Paulo representando o estado.

Quando deixa de valer a pena

Historicamente, os clubes pernambucanos não costumam se dar bem na Copa São Paulo. As melhores campanhas de clubes do estado foram em 1992, quando o Santa Cruz, de Leto, Válber e Rivaldo, parou nas quartas-de-final, diante do eventual vice-campeão São Paulo; e do Sport, em 1997, eliminado pelo Santos na mesma fase. O destino mais comum do trio é uma eliminação precoce, ainda na etapa de grupos.

Com os estaduais, a partir dessa década, passando a começar logo no início de janeiro, tornou-se expediente comum das comissões técnicas do trio aproveitar, nas primeiras rodadas, a melhor condição física dos jovens ainda em idade júnior, em detrimento de veteranos que, invariavelmente, iniciam o ano fora de forma. Assim, quando a Copinha ainda era disputada por jogadores sub-20 (e não sub-18, como ocorre atualmente), os pernambucanos não costumavam mandar equipes completas. Enfraquecidas, elas colhiam resultados ruins, de modo que a competição nunca “caiu nas graças” dos futebolistas do estado.

Some-se, ainda, o alto custo de transportes, alojamento e alimentação para enviar a São Paulo, por no mínimo uma semana, uma delegação de aproximadamente 25 pessoas, e ficou mais fácil encontrar respaldo para o principal argumento, que justifique a ausência na competição, dos cartolas pernambucanos: a tese da “vitrine fácil” para empresários.

Uma vitrine inconveniente

Como qualquer competição que envolve atletas jovens e promissores, a Copa São Paulo é um verdadeiro “paraíso” para empresários e/ou olheiros de clubes de outros centros. A mera possibilidade de garimpar atletas talentosos, a um baixo custo, é por si só bastante atrativa para esses profissionais, que aparecem em todas as sedes da Copinha, muitas vezes com promessas sedutoras para esses garotos que, psicologicamente imaturos, são profundamente tentados a abandonarem seus clubes de origem pela simples perspectiva de sucesso oferecida por essas pessoas.

No final de 2007, logo após a disputa do Campeonato Brasileiro Sub-20, o Náutico sofreu com a ação agressiva de agentes e empresários sobre dois de seus jogadores mais promissores à época: os atacantes John e Reynaldo. Com muita dificuldade, o Timbu conseguiu reaver seus dois atletas, mas, com o clima conturbado que os dois terminaram criando dentro do clube, foi praticamente forçado a negociá-los, sem que chegassem a estourar entre os profissionais. John foi para o Internacional, enquanto Reynaldo transferiu-se para o Anderlecht, da Bélgica – ambos por empréstimo. O fato serviu de alerta para os dirigentes, que compreenderam a necessidade de redobrar os cuidados com os termos contratuais. Se num campeonato melhor organizado e selecionado como o Brasileiro Sub-20 tais eventos acontecem, o que se poderia esperar da Copinha, onde o assédio é reconhecidamente maior?     

O fato é que o “inchaço” do torneio – em 2009, são 88 times distribuídos em 22 chaves – contribui para a presença (majoritária) de clubes de empresários e agentes, que buscam apenas colocar na “vitrine” seus principais produtos. Assim, a competição torna-se menos atrativa para agremiações mais tradicionais, como Náutico, Sport e Santa Cruz, que vêem de perto a ameaça de assédio às suas promessas – desde cedo, talhadas para ingressarem na equipe profissional. Daí, uma vez que o principal objetivo no trabalho com a base é o de revelar jogadores para o time principal, não vale a pena correr os riscos inerentes a essa exposição exagerada – e até desnecessária. Pelo menos é esse o consenso entre os cartolas pernambucanos.



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