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Cristiano Ronaldo ou Messi?

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Equipe Olheiros.net - 11/01/2009

Muitos já dão como favas contadas a premiação de melhor jogador do mundo em 2008 pela FIFA. Boa parte dos jornalistas se antecipou ao evento que ocorrerá em Zurique, na Suíça, amanhã e já entregou o prêmio a Cristiano Ronaldo, meia-atacante português que, nas últimas temporadas, se transformou no principal nome do todo poderoso Manchester United e ainda esteve envolvido numa fracassada tentativa de transferência para o Real Madrid. Nem mesmo a polêmica que cercou o episódio com os merengues foi capaz de diminuir os feitos da revelação sportinguista neste ano que se passou.

Não menos talentoso, Lionel Messi também teve um 2008 repleto de conquistas. A maior delas, sem sombra de dúvida, foi ter assumido o papel de condução do Barcelona, em substituição ao amigo e ex-companheiro Ronaldinho Gaúcho, negociado com o Milan. Nesta segunda-feira, estarão em jogo o peso das façanhas protagonizadas por cada um desses grandes jogadores nos últimos meses. Existem outros três nomes na disputa, mas, fatalmente, a briga ficará mesmo entre Ronaldo e Messi. Qual deles deve ganhar? A discussão fica por conta dos convidados que o Olheiros trouxe para a mesa. Aprecie e tire suas conclusões. (Marcus Alves)

Cristiano Ronaldo é o melhor do mundo, por Manuel dos Remédios

O atleta perfeito. Técnica e fisicamente, Cristiano Ronaldo é a imagem do futebolista global do século XXI, forjada nas ruas de Santo Antônio, ainda na Ilha da Madeira, e nos pelados da Choupana, já com as cores do Nacional da Madeira, antes do salto para a academia do Sporting.

Em Alvalade, CR7 corrigiu defeitos, potenciou as qualidades físicas, recebeu os indispensáveis ensinamentos táticos e rapidamente seduziu Sir Alex Ferguson. Em Manchester explodiu, definitivamente, e conquistou o mundo. Com títulos. Ninguém, em 2008, conquistou mais títulos e troféus individuais que o internacional português para quem, agora, apenas o céu é o limite.

Bola de ouro, bota de ouro, melhor jogador da Premiership, melhor marcador da Premiership, jogador do ano para o Sindicato dos Jogadores profissionais (FIFpro), jogador do ano para a Associação de Jogadores Profissionais (PFA), jogador do ano para o Manchester United, jogador do ano para os adeptos, jogador do ano para a associação de jornalistas, avançado e jogador do ano da UEFA. Campeão inglês, campeão europeu e campeão no Mundial de clubes. Nunca ninguém tinha conquistado tanto em apenas um ano.

Cristiano Ronaldo joga e faz jogar, o que valoriza um jogador e todos os que o rodeiam. O seu cérebro está sempre na jogada seguinte, controlando os ritmos com naturalidade, o que dá um ar de celebridade à circulação de bola. Generoso para entender as necessidades coletivas, tanto que é capaz, na mesma jogada, de despejar a bola na sua área, num canto, correr no contra-ataque e concluir com um remate, o que faz sem dificuldades dada a facilidade para rematar de todas as distâncias, seduz o seu instinto vertiginoso. Depois, o seu entusiasmo, a sua explosão com a bola nos pés e a magia, não permitem nunca que o perdas de vista. Todo o seu jogo é um somatório de golpes fatais, no limite, irredutível na energia, alimentando permanentemente uma tormenta de paixões dentro de uma ilimitada amálgama de pequenas batalhas.

Nestes tempos de especulação, táticas e sistemas defensivos exagerados, a proposta de Cristiano Ronaldo anima o pessoal, porque nunca se sabe onde está o limite. E depois há o gênio em movimento, a ambição e a classe, num futebol de ataque, um jogo a um/dois toques, com velocidade e precisão, clarividência e astúcia.

Na “universidade” de Manchester, Cristiano Ronaldo aprendeu a ter mais critério na posse de bola e a ocupar os espaços mais equitativamente. E percebeu que no futebol velocidade não é correr. Tem outro conceito. É, sobretudo, fazer correr a bola com precisão, revelando superior capacidade para resolver problemas (ofensivos) com precisão e a uma velocidade e intensidade máximas. Não surpreende, por isso, que CR tenha conseguido converter os campos num acordeão, estreitando-o com passes curtos e alargando-o com lançamentos longos, sempre com uma precisão deslumbrante.

Em 2008, Cristiano Ronaldo evoluiu num patamar muito superior. Só pode ser ele o novo FIFA World Player.

Lionel Messi é o melhor do mundo, por André Lacerda, colunista da Trivela

A temporada 2008/9 da Liga dos Campeões já começou muito bem para o argentino Lionel Messi. Dos cinco jogos que disputou, marcou cinco gols e deu três assistências. Já o português Cristiano Ronaldo não tem bons números. Ele tem a mesma quantidade de partidas disputadas, mas não fez um gol sequer e deu apenas uma assistência. Esta é somente uma amostra da superioridade de Messi em relação a Ronaldo no ano que se encerrou há poucos dias.

Obviamente, não podemos negar que Ronaldo teve grande influência na conquista do Manchester United na Liga dos Campeões da temporada anterior. Porém, temos que recordar como foi a semifinal, quando o Barcelona e a equipe inglesa se enfrentaram. Messi e Ronaldo estiveram em campo nos dois confrontos. A diferença é que o argentino estava retornando de uma contusão que o deixou longe dos gramados durante um mês e uma semana. Nesse período, Messi ficou de fora, por exemplo, dos dois jogos diante do Schalke 04, válidos pelas quartas-de-final da competição continental. Caso não tivesse ficado parado por tanto tempo, Messi provavelmente teria ajudado mais o seu time contra o Manchester United, classificado para a final com um empate sem gols e uma vitória pela contagem mínima.

O título da Liga dos Campeões não é exclusividade de Ronaldo. Em 2006, Messi já havia se tornado campeão do torneio. Nesse quesito, agora ambos estão empatados. E na Olimpíada? Ronaldo disputou em 2004 e Portugal nem passou da fase de grupos. Messi fez melhor. Em 2008, junto com seus compatriotas, levou a Argentina à conquista do ouro. Detalhe: com 100% de aproveitamento. Autor de dois gols no torneio, em cinco partidas disputadas, Messi ainda foi o recordista de faltas sofridas, junto com o brasileiro Diego (19 cada um).

Vamos agora focar nos campeonatos nacionais. Na temporada 2008/9 da Espanha, sem contar os jogos deste ano, Messi atuou 14 vezes e marcou dez gols. Ronaldo também disputou 14 partidas no Campeonato Inglês. Porém, fez dois gols a menos que o argentino.

Não podemos nos esquecer que estamos comparando jogadores de estaturas bem diferentes. Messi tem apenas 1m69 e Ronaldo, 1m84. Isso quer dizer que o argentino leva uma grande desvantagem quando existe uma jogada aérea. Esse detalhe, no entanto, é compensado pela habilidade e pela velocidade de Messi. Como pudemos ver, através de todos os números citados, o camisa 10 do Barcelona merece ganhar da FIFA o prêmio de melhor jogador do mundo de 2008. Na eleição passada, Messi ficou em segundo lugar. Agora é sua vez.



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