Braitner Moreira e Maurício Vargas - 13/01/2009
Foram 132 jogos em nove dias. 11.880 minutos de bola rolando, sem contar os acréscimos. Ao final da semana mais intensa do futebol brasileiro, o Olheiros apresenta um balanço da primeira fase da Copa São Paulo 2009, que apresentou favoritos, surpresas, decepções, respondeu algumas perguntas e deixou outras no ar: o que pode fazer futuramente no futebol a geração relevada em gramados paulistas neste quente mês de janeiro?
Assim como em 2008, não pudemos obviamente estar em todos os estádios e conferir todos os jogos – nem mesmo decidir qual dos 434 gols foi o mais bonito ou o mais bizarro. Fato é que nenhuma análise será tão aprofundada quanto a do Olheiros, trazendo a você quais os principais nomes que prometem despontar ainda este ano.
Da mesma forma, algumas semelhanças com a Copinha passada podem ser percebidas: o São Paulo aparece de novo como principal favorito, ao lado de Santos e Cruzeiro. Mas como todos estão do mesmo lado da chave, nada impede que uma surpresa parecida com a do ano passado aconteça – ainda que seja menos provável. O Atlético-MG aparece novamente como principal frustração – um sinal bom para o Figueirense, afinal, se as coincidências continuarem aparecendo, o bi pode ficar mais perto. (Maurício Vargas)
Os melhores
Com o melhor ataque da Copinha e uma defesa que atravessou invicta os três primeiros jogos, o São Paulo teve a melhor campanha da primeira fase do torneio e se consolidou como um dos fortes favoritos ao título. Os holofotes estavam voltados para o camisa dez Oscar, mas o verdadeiro dono do meio-campo tricolor foi o volante Bruno Formigoni. O técnico Marcos Vizolli acertou a defesa, grande problema do time no ano passado, sem perder no ataque: foram dez gols marcados contra o frágil Juventus-AC. O herói da equipe é o centroavante Henrique, já com cinco tentos e a liderança na tabela de artilharia. Se não é um oásis de técnica, o camisa 19 mostrou muito faro de gol. Foi dele o único contra o Rio Claro, no jogo que valia a liderança do grupo.
Outros paulistas que fecharam com 100% de aproveitamento foram Rio Branco, Palmeiras, Grêmio Barueri, Atlético Sorocaba e Santos. Com o badalado Neymar em campo, quem deu as cartas foi o atacante André. Não que o aclamado sucessor de Robinho tenha decepcionado – só ficou abaixo das enormes expectativas criadas em torno de si. As dificuldades encontradas na partida contra o União-MT servem de alerta.
O Corinthians também mostrou um bom futebol, apesar do opaco empate na estréia contra o Paraibano. Com o retorno de Marcelinho, destaque já na Copinha do ano anterior, e recuperado de lesão, o jogo alvinegro começou a fluir melhor e a classificação veio sem maiores problemas. Na segunda partida, contra o Democrata-MG, foram dele os três gols do Corinthians. Na última, Marcelinho marcou nos acréscimos o gol da vitória contra o São Carlos.
A dupla de Porto Alegre, sempre forte nos torneios de base, também segue firme. O Grêmio mostrou seu potencial no segundo tempo da sensacional virada frente à Portuguesa-SP e na goleada sobre o Nacional-AM, mas não repetiu o bom futebol na partida contra o Taubaté e expôs problemas defensivos ao levar três gols da Lusa. Já o Internacional tem mais motivos para comemorar, com 100% de aproveitamento num grupo equilibrado. O meia Marquinhos é o líder do time, com um gol em cada um dos jogos, incluindo um golaço de cobertura contra Giannine, goleiro do Araguaína-TO. Bem no ataque, o Inter também pode sofrer defensivamente com os problemas em suas laterais, aos cuidados dos superestimados Daniel e Rafael Forster.
Além dos que confirmaram o estatuto de favorito, o Rio Branco, atual vice-campeão, não surpreendeu ao terminar líder no grupo do Atlético-MG. O time de Americana contou com uma defesa bastante sólida para compensar a falta de criação do setor ofensivo do time, com Romarinho praticamente ilhado. Agora, o Rio Branco encara o Inter na reedição de uma das semifinais de 2008 – e, se passar, pode repetir a final do ano passado com o Figueirense, líder de seu grupo em Marília. Outras duas boas equipes mostraram um futebol bonito de se ver e bastante eficiente, fechando a primeira fase com nove pontos: Cruzeiro e Fortaleza. (Braitner Moreira)
Os piores
Toda Copinha tem o seu lado B, C, D... Se o que mais se comenta é que ela está cheia de coadjuvantes, alguns fazem seu papel tão bem que mereceriam uma estatueta pelo desempenho: 14 equipes não somaram nenhum ponto nos três jogos e outras quatro foram mais além – não marcaram um gol sequer. Os indicados à categoria foram Democrata-MG, Jaguaré-ES, Maranhão-MA e Nacional-AM, mas o Oscar vai mesmo para o Maranhão, time acompanhado por nós do Olheiros na seção Diário de Bordo. O MAC não balançou as redes e sofreu 16 gols, a pior defesa. A campanha até começou bem, com uma derrota de apenas 1 a 0 para o Pão de Açúcar. Mas, depois, Goiás e Mirassol foram implacáveis: 7 a 0 e 8 a 0, respectivamente.
Ao menos, serve de consolo que essas não foram as maiores goleadas da Copinha. Jacareí e Juventus-AC sofreram com placares dignos dos campos de várzea: 10 a 0 para Atlético-PR e São Paulo, respectivamente. O “vira cinco, acaba dez” quase foi levado ao pé da letra pelo Furacão, que marcou quatro no primeiro tempo e seis no segundo. Já os acreanos por pouco não foram piores que os maranhenses: levaram 15 gols, um a menos, e ainda marcaram três, para amenizar o sofrimento da torcida.
E por falar em sofrimento, nenhuma torcida reclamou tanto quanto a do Paulínia, que teve a pior campanha dentre os anfitriões dos grupos: três derrotas, três gols marcados e 14 sofridos. Muito pouco para um clube que tem investido todo seu dinheiro nas categorias de base. O Jacareí também ficou na lanterna, mas apesar da goleada sofrida, chegou a vencer um jogo sobre o Porto, de Caruaru. (Maurício Vargas)
As surpresas
Por mais tradição que tenha em torneios de base, apenas o torcedor mais otimista poderia apostar que o Cruzeiro mostraria um futebol leve e convincente. E um time entrosado logo na primeira fase da Copa São Paulo, botando banca e chamando para si a responsabilidade em um grupo que parecia mais complicado do que realmente se mostrou. O meia Bernardo cumpriu as expectativas e é forte candidato a craque do torneio, se os celestes chegarem às partidas finais. Os laterais Bebeto e Diego Renan, o volante Mateus e o meia-atacante Dudu não chegaram com tanta badalação ao torneio, mas têm mostrado jogo a jogo uma qualidade bem superior ao time do ano passado. Parte da crônica mineira já aponta semelhanças com a campanha vitoriosa de 2007 e surpresa, agora, será se o Cruzeiro não chegar longe.
Quem se encheu de confiança para viajar para São Paulo foi o América-MG, mas por muito pouco o Coelhinho não ficou de fora da segunda fase. Depois de uma vitória apertada contra o Avaí-SC e uma derrota pelo placar mínimo com o Nacional, os mineiros ocupavam apenas a terceira posição do grupo. Mas abriram fogo contra o Ypiranga-PE e, com atuação destacada do lateral Danilo, marcaram oito gols para se classificar na liderança de forma surpreendente. O Grêmio Barueri também liderou seu grupo como era esperado, mas fez o trabalho ficar mais fácil do que o previsto ao bater o São José-RS, principal rival da chave, logo na estréia. Os dois times se reencontram na segunda fase.
Com 100% de aproveitamento de seus pontos, assim como o Barueri, esteve o Palmeiras. Cercado de desconfiança pelas campanhas inexpressivas durante 2008, o Verdinho surpreendeu por se classificar tão bem, apesar de ter conseguido dificultar todos seus jogos por conta própria. A goleada na estréia contra o Cuiabá-MT só foi realizada no segundo tempo, enquanto a vitória por 3 a 2 frente ao Castanhal-PA só veio com um gol do reserva Diogo, aos 43 minutos da última etapa, decidindo pelos meias Alex e Felipe, que negam fogo. O 3 a 2 se repetiu contra a Ferroviária, e o Palmeiras pôde fechar a primeira fase com nove pontos.
Surpresa retumbante foi o Fortaleza. O Tricolor do Pici tem uma equipe forte e competitiva, mas recebeu pouca atenção da mídia, apesar da presença da infernal dupla de ataque Adaílton e Marcos Bambam, que se destacou na Copa São Paulo do ano passado e chegou a atuar na Série B. Logo na estréia, o Fortaleza mostrou suas credenciais ao bater o Vitória-BA e confirmou as expectativas goleando o Taboão da Serra, que contava com apoio maciço de sua torcida. O jogo com o Rio Preto serviu apenas como formalidade para o meia Marlon desfilar sua classe. Se passar pelo Flamengo-RJ na segunda fase, o Fortaleza tem tudo para criar problemas aos grandes favoritos do torneio. (Braitner Moreira)
As decepções
Quando se é um clube grande, com fama de revelador e campeão de três edições da Copinha, não se pode admitir apenas uma vitória em três jogos contra equipes de menor expressão. Por tudo isso, o Atlético-MG – assim como em 2008 – foi a grande decepção desta edição, com um futebol sem brilho. Mesmo com desfalques importantes, o resultado foi tão ruim que o técnico Leonardo Condé, entrevistado pelo Olheiros, foi demitido logo após a derrota para o Rio Branco por 3 a 0. A esperança, agora, é que a experiência se repita e, mesmo com o desempenho fraco, a geração renda revelações importantes para o clube.
Também se esperava mais de dois campeões brasileiros da década de 80: Coritiba e Bahia, tradicionais reveladores de talentos, não conquistaram nada além de empates com um futebol muito burocrático. Também surpreende negativamente a fraquíssima campanha do Vitória, outro baiano – e ainda mais forte na base –, que perdeu os três jogos. Entretanto, vale lembrar que, tradicionalmente, o Rubro-Negro não vai longe na competição.
Já as equipes de empresários apareceram com muito menos destaque em 2009. O badalado Pão de Açúcar, campeão paulista sub-17, teve campanha pífia; o Campinas, de Careca e Edmar, não se classificou, e mesmo o Desportivo Brasil, tão alardeado, ficou apenas com a sexta colocação no índice técnico. O estado de São Paulo também viu tradicionais reveladores ficarem de fora, como o Botafogo, de Ribeirão, e o Nacional, da capital. Outro Nacional, o de Amazonas, foi muito mal este ano e ocupou a lanterna, após surpreender em 2008 e avançar ao mata-mata. (Maurício Vargas)
Raio X
Entre os 12 grandes que iniciaram a Copa São Paulo, o único que ficou de fora da segunda fase foi o Atlético-MG. Mesmo assim, foi interessante o número de equipes que repetiram o feito do último ano: 20 dos 32 classificados também haviam avançado em 2008, número bastante significativo para um torneio tão inchado. Outra curiosidade é que nenhum segundo colocado alcançou sete pontos, e assim todos os classificados por índice técnico somaram duas vitórias e uma derrota. O América-SP, pior campanha entre os 32 qualificados, passou com apenas um gol de saldo, mesma marca de ABC-RN, Lemense e Marília-SP. O time de São José do Rio Preto precisou do critério de gols marcados para se classificar. (Braitner Moreira)
Melhor campanha: São Paulo-SP (3J, 3V, 0E, 0D, 16GP, 0GC)
Pior campanha: Maranhão-MA (3J, 0V, 0E, 3D, 0 GP, 16GC)
Melhor campanha entre os anfitriões: Grêmio Barueri-SP (3J, 3V, 0E, 0D, 10 GP, 4GC)
Pior campanha entre os anfitriões: Paulínia-SP (3J, 0V, 0E, 3D, 3GP, 14GC)
Melhor ataque: São Paulo-SP (16 gols marcados)
Pior ataque: Democrata-MG, Jaguaré-ES, Maranhão-MA e Nacional-AM (nenhum gol marcado)
Melhor defesa: Atlético-PR, Ponte Preta-SP e São Paulo-SP (nenhum gol sofrido)
Pior defesa: Maranhão-MA (16 gols sofridos)
Artilheiro: Henrique, do São Paulo (6 gols)
Total de times com 100% de aproveitamento: 10
Partida com maior número de gols: Londrina-PR 3x8 São José-RS
Média de gols: 3,29 (434 em 132 jogos)
Seleção da primeira fase
Com 88 times em ação e apenas três jogos de cada um, escolher os 11 melhores jogadores da Copa São Paulo até então é um prato cheio para polêmicas – a começar do gol, que não viu nenhum grande destaque individual neste início de Copinha. Nas laterais, o corintiano Bruno Bertucci e o cruzeirense Diego Renan merecem ser citados. No meio, sobrou gente para apenas quatro vagas: até mesmo o autor do review se ressente por não ter dado a camisa dez da seleção do torneio para o colorado Marquinhos, mas os quatro escolhidos são unanimidade. Na frente, o corintiano Marcelinho deveu pouco em relação ao santista André, mas terá a fase final para marcar gols decisivos e figurar na seleção definitiva da Copa São Paulo. Quem sabe com a faixa no peito e uma chance entre os profissionais: (Braitner Moreira)
Roberto (Goiás-GO); Deivid (Palmeiras-SP), Manoel (Atlético-PR), Raphael (Fluminense-RJ) e Carlinhos (Vasco-RJ); Bruno Formigoni (São Paulo-SP) e Bernardo (Cruzeiro-MG); Marllon (Fortaleza-CE) e Wellington (Fluminense-RJ); Henrique (Sâo Paulo-SP) e André (Santos-SP)
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